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Ruar

  • Foto do escritor: Be Melo
    Be Melo
  • 25 de mai. de 2021
  • 1 min de leitura

Se essa rua, se essa rua fosse minha…

Ela não seria nem de longe tão acolhedora e plural

Essa rua poliglota, de sotaques, buzinas, cores e transparências

Hoje, tão saudosa

Guarda apenas a lembrança de seus amores


Nem minha e nem sua.

Ela é nossa.

De um frescor sem igual, que não vejo a hora de ter

Outrora tão popular, vive num misto de maré cheia e seca

Como eu em dias difíceis, é grão de areia na multidão


Pés transitam pela rua de forma fugaz

E as noites, antes tão badaladas,

Silenciam desesperos

Dentre marcas e muitas perdas

Já quase não avistava esperança


Cansada de romantizar a tal da quarentena

Pensei ao mal estar me entregar

Mas essa rua-selva salva

E tudo aquilo que ela representa inunda

Tão potente a ponto de ser combustível


Penso na liberdade

Intrínseca às artérias da cidade

e me vem um acalento recheado de saudade

Saudades do que um dia já foi banal

De todos os prazeres do mundo, quiçá o mais trivial


Saborear o vento no rosto

Sentir o calor do Sol no corpo

Poder nos tocar

Reaprender a andar. Falar.

E aos poucos engatinhar para fora do pensar



(Beatriz Melo)


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