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Brasil. Só atravesse no verde!

  • Foto do escritor: Be Melo
    Be Melo
  • 29 de out. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 29 de nov. de 2022

As placas da Avenida Brasil, na cidade de São Paulo, indicam: Brasil, TERRA INDÍGENA. O solo grita. Nomes de rua e avenidas, comunicam. De dentro do carro, olhei pra cima e vi uma grande placa verde. Nela constava “Av. Paulista”, “Bela Vista”, “Centro”.


No meu percurso entre a rua Dr. Bacelar e a avenida Rebouças, procuro sempre novidades no corriqueiro. Gosto de observar a mudança de ares, traduzir as vitrines humanas e sentir o sussurro do vento. Naquela placa, tentei enxergar a possibilidade de uma reflexão, mas não enxerguei.


Eis que ao abaixar um pouco mais o vidro, vi a placa indicativa da avenida Brasil. Apertando os olhos, dei zoom na câmera do celular, quis logo registrar. Não deu certo, o carro acelerou. Após duas falhas consecutivas, consegui. Com o carro em movimento, cliquei e me defrontei com a seguinte imagem:



O que você vê?


Sentido da via. Proibido estacionar. Só atravesse no verde. Semáforo fechado para pedestres. Brasil. Avenida Brasil. Terra indígena. Verde. Azul. Amarelo. Vermelho. Vermelho. Vermelho. Não é campanha política, é desespero.


Infelizmente não passo por lá diariamente, para afirmar de antemão desde quando as placas foram atualizadas e por quem. Futuramente, vale a apuração. No que vejo, saltam símbolos. O caos mais organizado que já vi. Quantas histórias nos contam uma imagem… intervenções propositais, ao acaso ou convenientes?


E agora, o que você vê?


Eu vejo protesto. Vejo diagnóstico. Uma possível solução. Brasilis. Terra Brasilis. Só atravesse no verde, mas por aqui, parece que o farol para nós está sempre fechado. É proibido estacionar, mas como caminhar? No exato momento da foto, um único sentido da via. À esquerda. Possibilidade de se movimentar. Árvores e céu azul. Território ocupado, habitado e confrontado. Desrespeitaram a eles e a nós. E querem fazer de novo. Deixar a nossa história pra trás.


A terra é indígena, todo respeito aos nossos ancestrais. Atravesse. Mas não atravesse, o farol está vermelho para o capataz. Atravesse no verde, enquanto existir. Mas não destrua, não desmate, é preciso coexistir. Se não houver mais verde, não poderemos transitar. Estagnados ficaremos, infringindo a regra do proibido estacionar, necessária para o país andar. Sentido único. Nesta foto. Daqui alguns metros, isso pode mudar. O farol está vermelho. E lá trás? Apagamento histórico, não mais!

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